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Notícias/SAÚDE29/09/2026· KF News

Especialistas explicam por que os casos de transtornos mentais cresceram tanto entre jovens

Foto: ali atyabi/Pexels

A OMS estimou, no fim de 2025, que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que esses problemas estão cada vez mais presentes no dia a dia. Mas será que houve mesmo aumento real dos casos, ou as pessoas simplesmente passaram a falar mais sobre o assunto?

Segundo especialistas, as duas coisas aconteceram. O psiquiatra Eduardo Perin, especialista em terapia cognitivo-comportamental, aponta que estudos mostram crescimento de depressão, ansiedade e transtornos alimentares nas últimas décadas. Entre jovens de 10 a 24 anos, a prevalência de transtornos mentais aumentou cerca de 6,8% entre 1990 e 2021, e a depressão teve alta de aproximadamente 22,5%.

A pandemia da Covid-19 também deixou marca: o Global Burden of Disease estimou aumento de 28% nos casos de depressão e 26% nos transtornos de ansiedade em 2020. Além disso, pessoas que tiveram Covid apresentaram maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e distúrbios do sono no ano seguinte.

Outro fator importante são as mudanças nos critérios de diagnóstico. O psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília, cita o autismo como exemplo: com a definição de espectro autista, muito mais pessoas passaram a ser enquadradas, sem que isso signifique necessariamente mais casos reais. Boechat também alerta para o uso exagerado de testes e escalas, que não foram feitos para fechar diagnóstico e podem gerar muitos falsos positivos.

As redes sociais e o estilo de vida atual também entram na conta. O excesso de tempo online e a redução do contato presencial podem agravar sintomas. Entre os grupos mais afetados estão jovens, mulheres, pessoas com histórico de transtornos e indivíduos em situação de vulnerabilidade social. No caso dos jovens, somam-se pressão social, ambiente digital e cyberbullying. Para os especialistas, o aumento dos diagnósticos reflete uma combinação de crescimento real de alguns transtornos com maior acesso à informação, mudanças nos critérios e redução do estigma.

Fonte: Metropoles