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Notícias/SAÚDE08/10/2026· KF News

Estudo da Fiocruz aponta risco de morte 78% maior entre autistas hospitalizados no Brasil

Foto: Divulgação/Drauzio Varella

Um estudo da Fiocruz revelou que pessoas com transtorno do espectro autista, o TEA, que foram hospitalizadas têm 78% mais risco de morrer do que pessoas sem autismo e sem internação. A pesquisa analisou dados de saúde e assistência social de brasileiros entre 2008 e 2018, considerando 948 pacientes com TEA que foram internados e 99.904 pessoas sem registro de TEA e sem hospitalização.

Os números detalham ainda mais essa diferença. Entre as mulheres com autismo hospitalizadas, o risco de morte foi 3,48 vezes maior. Entre jovens de 11 a 24 anos, o risco chegou a 3,20 vezes maior. Já entre autistas sem outras doenças registradas, o risco foi 2,27 vezes maior do que o grupo de referência.

As principais causas de morte entre os hospitalizados com TEA foram doenças respiratórias, que responderam por 24% dos óbitos, e doenças neurológicas, responsáveis por 20% dos casos. A pesquisadora Camila Bonfim, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, o Cidacs, da Fiocruz Bahia, aponta que menor acesso aos serviços de saúde, dificuldade na comunicação de sintomas e falta de tratamento adequado estão entre os fatores que aumentam essa vulnerabilidade.

O estudo também levanta a hipótese de que autistas sem comorbidades registradas possam ter casos de maior vulnerabilidade, como diagnóstico tardio ou pouco acesso ao tratamento. O psiquiatra Marcelo Trindade Júnior, professor da Universidade Federal de Goiás e especialista no atendimento de pessoas com TEA em ambiente hospitalar, alerta que sinais de sofrimento desses pacientes são frequentemente confundidos com problemas de comportamento, fazendo com que a causa clínica real passe despercebida. Ele defende que os hospitais sejam mais flexíveis para reconhecer e atender as necessidades específicas das pessoas com autismo.

Fonte: Drauzio Varella