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Notícias/POLÍTICA14/10/2026· KF News

Ministros do STF próximos a Lula adotam postura mais discreta no segundo turno das eleições

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

Ministros do STF mais próximos ao governo Lula mudaram de comportamento no segundo turno das eleições. Estão bem mais quietos do que foram na primeira fase. O motivo apontado dentro do próprio STF e da campanha de Lula é que o ativismo a favor do petista no primeiro turno acabou sendo revertido em votos para Flávio Bolsonaro, do PL.

O mais discreto até agora é Flávio Dino, que adotou silêncio completo pelo menos nos primeiros dez dias do segundo turno. No primeiro turno, ele foi bem diferente: liderou movimentos para derrubar decisões favoráveis a Flávio Bolsonaro e abriu investigações ligadas a teses do petismo, como a da interferência estrangeira e outra sobre violência religiosa, que veio na esteira das acusações de que Flávio mudaria a padroeira do Brasil.

Já Alexandre de Moraes, principal alvo do bolsonarismo, tomou uma série de decisões logo após o primeiro turno que foram lidas como acenos ao campo bolsonarista: determinou a progressão de pena para Débora do Batom, arquivou processos contra bolsonaristas e autorizou Flávio Bolsonaro a visitar o pai na prisão domiciliar, depois de três meses vetando qualquer visita.

Por outro lado, Moraes e Gilmar Mendes apostam em fragilizar Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, expondo as relações dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo é tanto enfraquecer Kassio quanto expor o que consideram uma atuação parcial de André Mendonça no caso Master. O CNJ está fazendo auditoria em processos nos quais se acredita que aliados de Kassio obtiveram ganhos, envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro e processos de hospitais pedindo troca de tabela em contratos com o poder público.

Gilmar Mendes tem dito a interlocutores que acredita que a situação de Kassio é mais sensível do que a de Moraes, cuja mulher fechou contrato de 129 milhões de reais com Vorcaro e de quem a Polícia Federal localizou mensagens do banqueiro sugerindo que o ministro atuava como uma espécie de consultor jurídico dele em Brasília. Nos bastidores, os dois casos são apontados como os mais graves, mas a avaliação é de que a proximidade de Kassio com a família Bolsonaro e o domínio do PL sobre o Congresso devem fazer com que ele evite um impeachment.

No entorno de Moraes, a expectativa é que, se Flávio vencer, um Supremo mais ameno com o bolsonarismo possa levar a alguma saída que evite impeachments. Entre os argumentos discutidos estão: uma reforma do Judiciário conduzida pelo Congresso que reduziria os poderes da Corte; a nomeação de pelo menos quatro ministros por Flávio, o que daria maioria de direita ao STF; a possibilidade do grupo de Moraes e Dino sinalizar a Flávio que o deixará governar; e ainda a hipótese de Moraes desistir de presidir o STF no ano que vem em troca de ser mantido no cargo.

Fonte: CNN