
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou ter pago R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para bancar um documentário sobre o presidente Lula — e que, em troca, tentou garantir acesso a recursos de fundos de pensão de estatais como Previ, Petros e Postalis. As informações foram publicadas pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em áudios e documentos do próprio Vorcaro, obtidos durante suas tentativas de fechar um acordo de colaboração com as autoridades.
Segundo a reportagem, as negociações começaram por Augusto Lima, então sócio e executivo do Banco Master, que teria contatado João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, após articulação de integrantes do partido na Bahia. Vaccari teria exigido os R$ 30 milhões para custear o documentário produzido no exterior, com entrega em espécie ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. A reportagem relaciona o suposto pagamento ao documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Em áudio reproduzido pela Veja, Vorcaro compara o caso ao documentário sobre Bolsonaro: "O do Lula foi por fora, foi errado."
A reportagem também cita o ministro Alexandre Padilha, então responsável pela Secretaria de Relações Institucionais, e menciona Olavo Noleto, ex-secretário-executivo da pasta, e um operador chamado Júlio, que teria intermediado contatos com dirigentes dos fundos. Vorcaro afirmou ainda que uma transferência de R$ 500 mil foi feita ao operador Júlio como adiantamento. O Banco Master entrou na lista de instituições autorizadas a receber investimentos dos fundos em 29 de abril de 2024, mas Vorcaro disse não ter conseguido concretizar as operações pretendidas com os principais fundos federais.
Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem. Padilha e Noleto também negaram qualquer relação com o banqueiro. A PGR não deu andamento ao relato, e a própria revista destaca que os elementos divulgados não comprovam participação de Lula no suposto esquema. Vorcaro, que não concluiu acordos de colaboração anteriores, trabalha, segundo a publicação, em uma terceira proposta.
Fonte: Jovem Pan




